A Era Contemporânea (Anos 2020)
A RIVALIDADE ATOS VS NEW WAVE
O período contemporâneo do Brazilian Jiu Jitsu competitivo foi substancialmente definido pela rivalidade entre duas unidades de treinamento: o time Atos de André Galvão em San Diego e o time New Wave de John Danaher em Austin. Ao longo dos torneios ADCC de 2022 e 2024, o output competitivo head-to-head desses dois times produziu as lutas de grappling mais assistidas na história do esporte e remodelou o cenário técnico e pedagógico do BJJ moderno.
As condições estruturais para a rivalidade Atos–New Wave foram estabelecidas no final dos anos 2010, quando ambos os times haviam montado listas competitivas capazes de dominar categorias de peso do ADCC e a divisão absoluto. O Atos sob André Galvão tinha Felipe Pena, Lucas Hulk Barbosa, e eventualmente Tainan Dalpra e Mica Galvao como a identidade competitiva do time; o New Wave sob John Danaher tinha Gordon Ryan como o talento singular de geração apoiado por Garry Tonon, Nicky Rodriguez (mais tarde transitando para o B-Team) e outros. Os torneios ADCC de 2017 e 2019 demonstraram que ambos os times poderiam produzir medalhas de ouro em múltiplas divisões, e o ADCC 2022 em Las Vegas — o primeiro ADCC pós-pandemia — foi onde a rivalidade se cristalizou totalmente.
A divisão absoluto do ADCC 2022 viu Gordon Ryan vencer seu terceiro título consecutivo do absoluto contra um campo que incluiu Felipe Pena e Nicky Rodriguez. As chaves leve e médio apresentaram Tainan Dalpra contra múltiplos competidores afiliados ao New Wave. O placar competitivo a nível de time ao longo do torneio favoreceu o Atos ligeiramente em medalhas mas o New Wave decisivamente no absoluto (a divisão de maior prestígio), estabelecendo um padrão que persistiria até 2024.
O ADCC 2024 em Las Vegas produziu as lutas de grappling mais aguardadas na história do esporte. Gordon Ryan venceu seu quarto título consecutivo do absoluto (o maior de todos os tempos) em lutas contra Felipe Pena e Nicky Rodriguez (então competindo pelo B-Team em vez do Atos diretamente, embora a genealogia estilística fosse contestada). Mica Galvao venceu sua categoria de peso pelo Atos. O output comercial do torneio — vendas de pay-per-view, engajamento em redes sociais, e discurso pós-torneio — estabeleceu que o grappling de elite havia alcançado uma escala comercial comparável à promoção de MMA de nível médio, e que a rivalidade a nível de time era um motor primário desse crescimento comercial.
As consequências técnicas da rivalidade se estendem além dos resultados competitivos. O sistema de passagem leg-drag-e-joelho-cortado do Atos virou a metodologia dominante de passagem no gi globalmente; o sistema de chave-de-pé-e-pegada-de-costas do New Wave virou a metodologia dominante de finalização no-gi. Academias modernas tipicamente integram elementos dos dois, tratando os dois sistemas como complementares em vez de concorrentes apesar de suas diferenças estilísticas. A pedagogia técnica da era Mendes no Atos e a pedagogia sistemática da era Danaher no New Wave ambas produziram materiais instrucionais — DVDs, séries de streaming, plataformas online — que constituem o conteúdo de BJJ mais assistido da última década.
O cenário competitivo de 2026 continua sendo definido por essa rivalidade, com a integração mais ampla do B-Team de Craig Jones como terceiro polo e o output competitivo renovado da ONE Championship como estrutura comercial paralela. Se o duopólio Atos–New Wave continuará a definir o esporte ao longo do final dos anos 2020 e dos 2030 depende da próxima geração de competidores emergindo dos dois times e da saúde contínua de Gordon Ryan, cuja condição estomacal crônica tem sido uma preocupação recorrente ao longo de sua campanha de cinturão.